
Não importa quanto o mundo tenha se tornado global, carros são criaturas provincianas. Qualquer Ferrari roda esplendorosamente na Strada Statale 12, em Maranello - mesmo que para isso a relação de marchas não fique ideal na Bundesautobahn 81, onde os engenheiros da Porsche dirigem da casa para o trabalho. Vale também para os nossos sedãs. O japonês Nissan Sentra usa a plataforma do francês Renault Mégane, mas tem mais em comum com seu compatriota Honda Civic. Se o Mégane parece com alguém, é com o Citroën C4 Pallas. Alguns traços culturais são mera curiosidade, como a chave comprida dos carros japoneses. Outros são decisivos para escolher nosso melhor sedã médio - afinal, foi para isso que juntamos os quatro carros, mais do que para falar de nacionalismos.
Um japonês típico, daqueles que fazem questão de ter o celular mais avançado, compraria um carro francês. Pallas e Mégane são generosos em inovação, com pára-lamas dianteiro de plástico (que não amassa em pequenas batidas) e vidros elétricos do tipo um-toque para todos a bordo. Civic e Sentra são pragmáticos: para abrir o porta-malas você puxa uma alavanca. Os japoneses primam pela qualidade mecânica, com motores econômicos (tão vigorosos quanto os franceses) e durabilidade.
Na pesquisa de satisfação do JD Power, nos Estados Unidos, a Honda foi a sexta melhor colocada e a Nissan, 13ª - e o Civic foi o terceiro em sua categoria. No levantamento feito no Reino Unido, o C4 ficou em 98º lugar e o Mégane em 104º, num total de 113 modelos. As pesquisas foram feitas no exterior, mas são carros parecidos com os daqui. Essas montadoras adotam, nos nossos produtos, o padrão internacional de fabricação. Os dois opostos têm se aproximado: os novos Civic e Sentra avançaram na direção da ousadia e a Renault acaba de aumentar a garantia do Mégane para três anos. Quem conseguir o equilíbrio terá o melhor de dois mundos.
Atenciosamente
Saipa Designs
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